domingo, 27 de novembro de 2011

Grupo PeRiGo-10 anos

Postado por Cláudia Figueiredo às 17:10

EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA, no CENTRO CULTURAL DA JUSTIÇA FEDERAL
 
O nome do Grupo PeRiGo, composto pelos artistas plásticos Edineusa Bezerril, Denize Torbes e Fábio Borges, nasceu da junção das primeiras sílabas dos estados onde cada um nasceu: Edineusa é de Pernambuco, Denize, do Rio de Janeiro e Fábio, de Goiás. Cada um desenvolve separadamente seus trabalhos de pintura e há 10 anos se reúnem para produzir também, peças em cerâmica que têm em comum a estreita ligação com manifestações culturais de identidade brasileira. "Transportamos para a cerâmica o que fazemos nas telas", concluem quase em coro.

Contudo, o trabalho de cada um foge a regionalismos e exibe estética absolutamente individual e original com linguagem criada a partir do imaginário brasileiro. Exibe urbanidades, o cotidiano, o ponto de vista do homem que vive e analisa a cidade e o mundo em que vive e, também como o contesta.
O trio que já mostrou seu trabalho no Rio de Janeiro e em Minas Gerais voltará a apresentar sua recente produção na Cidade Maravilhosa com a exposição Grupo PeRiGo – 10 anos, uma comemorativa da década de parceria. O trabalho em conjunto, sedimentado pelo tempo e criação de peças em cerâmica, confirma a identidade e cumplicidade dos artistas, amigos de longa data.

A última exposição do grupo aconteceu em 2003, há oito anos. Esse vácuo se deu por conta da mudança para São Paulo, do também carnavalesco Fábio Borges. Lá, ele fez o carnaval da Unidos do Peruche, Rosas de Ouro, Acadêmicos do Tucuruvi e Vila Maria. Antes, no Rio, passou pela Estação Primeira de Mangueira, Leão de Nova Iguaçu e Acadêmicos do Salgueiro.

A exposição com entrada franca, acontecerá de 6 de dezembro de 2011 a 12 de fevereiro de 2012, ocupando três ambientes do Centro Cultural da Justiça Federal, duas galerias e o hall de entrada.

No dia 26 de janeiro, às 17 horas, o Grupo PeRiGo fará também uma visita guiada aberta ao público com entrada franca.

Durante todo o período da exposição, um vídeo exibirá o processo de criação dos trabalhos de cada um dos artistas expositores.

O QUE CADA UM VAI EXPOR

Edineusa Bezerril transita em dois mundos na arte da cerâmica: o universo real e o imaginário. Universo real, quando ela introduz em suas esculturas da série “Cabeças” figuras que se inter-relacionam, representando o homem em seu cotidiano contemporâneo na comunicação verbal. Dessa produção seguem-se as séries “Cabeça foi feita para pensar”, “Quando a cabeça não pensa o corpo é que padece”, “Cabeça de vento”, “Cabeça oca”, etc.
Já, quando se trata do universo imaginário nas formas “Cabeças”, a série está relacionada à influência dos ex-votos de sua infância nordestina, em que o homem se presta a “pagar o milagre recebido”.
Da série “Cabeças”, serão expostas também pinturas sobre papel, obras criadas na mesma temática figurativa, criando um paralelo com a cerâmica. Em ambas as técnicas aparecem textos embaraçados. Uma linguagem inventada, puramente gráfica, que traduz o caos informacional da cidade. Uma comunicação que mais separa do que une. "Busco inspiração para o meu trabalho enquanto ando pelas ruas. Fico olhando para a cabeça das pessoas e fico imaginando o que se passa dentro de cada uma delas. Para representar esse mistério, uso grafismos, palavras sem significados, riscos... Já que pensamentos podem significar algo ou nada", explica Edineusa.

Denize Torbes tem como base de seu trabalho, elementos gráficos e formais presentes nas esculturas, pinturas e objetos do cotidiano de antigas culturas que ela divide em séries. Além das séries já conhecidas como “Signos transfigurados”, estarão expostos dois conjuntos de peças em cerâmica da série inédita "Alvura - famílias", onde o elemento principal é constituído a partir de um objeto pontiagudo feito em madeira pela tribo Kamaiurá, para proteger as aldeias das invasões de caminhões das madeireiras, no norte do Mato Grosso. A forma desse objeto simboliza os entes das famílias, mas seu grafismo assume múltiplas interpretações: Ora escudo, lança, chama, pena, punhal, falo e vagina, entre outros. Formas que só o relevo permite identificar. A artista mostrará também pinturas sobre papel da mesma série. E serão adicionadas ainda, peças em que a artista transcreve trechos de cantos Mbya Guarani e poemas Popul Vuh. "Meu trabalho é uma releitura do objeto pontiagudo que vi em madeira numa exposição, há muitos anos. Representava a forma de como a “família” Kamaiurá resistia às invasões territoriais. Eles tentavam bloquear as estradas com centenas, milhares deles, enterrados nas estradas de barro. E o objetivo era furar os pneus dos caminhões. Uma invenção adotada pela tribo a fim de manter sua sobrevivência", explica Denize.


Fábio Borges pousa os olhos na silhueta das montanhas do Rio de Janeiro vista à partir do mar, ao criar pinturas sobre papel. O relevo substitui o traço, o que leva sua pintura na direção das texturas. A montanha e o pescoço das garças criam volteios no ar. Nas esculturas, linhas quebradas ou sinuosas dão força às serpentes, que agora se misturam ao relevo carioca, formando, por exemplo, a cobra que "serpenteia" no formato do Pão de Açúcar. A instalação "Boi de Piranha" faz alusão ao Brasil que é devorado por políticos corruptos. A bandeira é composta por 600 piranhas, sendo que cada uma se refere a uma notícia datada, sobre corrupção no governo, em todos os veículos de comunicação. De volta ao Rio depois de morar uma década em São Paulo, Fábio só atualizou a instalação já exposta em 2003, com mais cem piranhas devoradoras, ou seja, acrescentou mais cem notícias de corrupção no país. "Continuei fazendo bichos nessa minha volta ao Rio, mas uso os contornos das montanhas para criar agora cobras. Vou expor sete, com formas sinuosas e também com linhas quebradas; mais a instalação "Boi de Piranha". Usei as notícias que saíram também na internet, nesses últimos anos, para atualizar", conta o artista que claramente faz de sua obra veículo de protesto.

Serviço

Abertura da Exposição
 

PeRiGo-10 anos
Data: 6 de dezembro (Terça-feira)
Local: Centro Cultural Justiça Federal – Galerias do primeiro andar/
(Endereço: Avenida Rio Branco, 241- Centro)
Horário: 19horas
Ingresso: Entrada franca
Duração:
De 6 de dezembro de 2011 a 12 de fevereiro de 2012
Dias: Terça a domingo, das 12 às 19 horas
Visita guiada pelos artistas:
Dia 26 de janeiro, às 17 horas
Telefone: (21) 3261-2550
www.ccjf.trf2.gov.br

1 comentários:

Anônimo disse...

Cacau, cadê vc garota?
Saudades de te ler.
Beijos
Rafael

 

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