quinta-feira, 10 de março de 2011

Crítica/ As melhores trilhas sonoras do Oscar 2011

Postado por Cláudia Figueiredo às 11:59
Amigos,

Como sempre digo aqui, meu blog é território de livre expressão para profissionais das mais diversas áreas, que venham a somar em conhecimento com todos nós. Desta vez, quem colabora comigo é Gito Sales, meu amigo de longa data. Tive a oportunidade de conhecê-lo, quando se sagrou vencedor do Prêmio Sharp, com a Banda Fantasmas. Instrumentista (gutarrista e violonista), cantor, arranjador, compositor, professor, produtor e diretor musical; filho do compositor, cantor e instrumentista Herberto Filho; e neto do escritor e acadêmico Herberto Sales (1917-1999) foi autodidata, morou em Paris, onde estudou harmonia funcional, tocou no metrô e fez projetos para o avô, para quem atuou como consultor. Também deu consultoria musical à direção da TV Bandeirantes-Rio.

Para nós, Gito escreveu uma análise sobre as trilhas sonoras indicadas para o Oscar 2011. Vale a pena conferir.
Bjos a todos !!!
Cacau

Melhor Canção Original

Quatro canções concorreram ao título de melhor canção original da Academia este ano.
"Coming Home" - Country Strong
"I See the Light" - Enrolados
"If I Rise" - 127 Horas
 "We Belong Together" - Toy Story 3

A vencedora na categoria foi We Belong Together, de Toy Story 3. O compositor Randy Newman, que já teve 20 indicações e ganhou seu primeiro Oscar em 2002, por Monstros S.A subiu ao palco pela segunda vez para receber a estatueta. Ele agradeceu a Pixar e comentou que já foi indicado algumas vezes ao Oscar. "A Academia foi incrivelmente gentil em me dar esse prêmio. Muito obrigado", finalizou.
Analisei cuidadosamente as candidatas à “Melhor canção original”. Todas muito bem elaboradas e criativas. Seus compositores foram diretos, cada um com seu ponto de vista:


“If I Rise” do filme do filme 127 horas: foi uma canção que me chamou muito a atenção, pois seu arranjo vocal e muitas cordas incidentais compuseram bem o contexto do filme.

“I See the Light”, de Enrolados: Com seus arranjos de cordas e sons percussivos, ilustrou bem o filme. Porém, as muitas informações musicais atrapalharam um pouco ao júri. Sinto que a Academia sendo tão tradicional teve dúvidas sobre a canção.

“Coming Home”, de Country Strong: Não tenho dúvidas de que se durante a condução do filme, os compositores e arranjadores tivessem incluído mais elementos countries, poderia ser uma forte concorrente, mas ficou limitada ao personagem, que foi a própria interprete. Enfim, não achei criativo, pois poderia evoluir mais nos elementos populares do country.

“We Belong Together”, a vencedora Toy Story realmente mexeu com o lúdico de cada um. A canção muito bem elaborada, com várias inserções de cordas e sopros é dinâmica, e com certeza foi merecida a premiação.
                                                         Melhor Trilha Sonora

Cinco trilhas concorreram ao título de a melhor da Academia este ano.

Alexandre Desplat - O Discurso do Rei

John Powell - Como Treinar o seu Dragão

A.R. Rahman - 127 Horas

Trent Reznor e Atticus Ross - A Rede Social

Hans Zimmer - A Origem

Num ano de indicados surpreendentes, que fogem à “fórmula “Oscar”, já tão decantada, a categoria Melhor Trilha Sonora também investiu na qualidade das obras. Compositores já experientes de Hollywood, como Alexandre Desplat e Hans Zimmer, dividem espaço com novatos como Trent Reznor e Atticus Ross.

Trent Reznor e Atticus Ross, do filme A Rede Social: realmente a música foi merecedora da estatueta, pois foi bem elaborada e conduziu de forma brilhante o dinâmico roteiro, assim como a história das redes sociais.

John Powell, de Como Treinar o seu Dragão: se tivesse sido indicada para Melhor Canção Original até poderia fazer frente a Toy Story 3, pois mexe com o lúdico também, mas não como trilha original. É uma trilha regada de variações. Muito bem elaborada, mas nada direcionado.

A.R. Rahman, de 127 Horas: é uma trilha bem aventureira, assim como o filme. Dinâmica e com uma boa evolução em suas passagens de cena. No meu ponto de vista como músico, achei fantástica e bem original como a trilha de A Rede Social.

Alexandre Desplat, de Discurso do Rei: diz para o que veio, mas é muito inferior ao filme em si. Muitos violinos vienenses e dinâmicas diferentes, com muita tecnologia instrumental, samplers e outras ferramentas similares traçam um estilo marcante.

Hans Zimmer, de A Origem: posso dizer que foi o inverso do Discurso do Rei, pois analisando o filme, a trilha ficou devendo mais tecnologia em seu enredo sonoro. Muito dinamismo e pouca tecnologia. Merecia mais. Ficou um certo hiato na trilha.

A Rede Social, com certeza, mereceu a estatueta. Mas outras duas merecem destaque. 127 Horas foi uma forte concorrente. E a minha predileta Toy History foi criativa e bem conduzida. Tenho a impressão de que a trilha foi desenvolvida take a take, e discutida a cada cena entre o diretor musical e o diretor do filme.

Gito Sales

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom Cacau,
parabéns pela postagem.
Abraços
Henrique Perdigão

Anônimo disse...

OIE CLÁUDIA,
MUITO BOA ESTA VISÃO! PRA MIM O MERECEDOR SERIA O 127 HORAS.
ABRAÇOS
GUSTAVO CAMELLO

 

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